Internet, conteúdo e projetos

A escrita é paixão e sustento. Nessa área, produzo conteúdo para Facebook em parceria com a agência Zero Catorze e escrevo para blogs sobre assuntos diversos – de maternidade à empreendedorismo. Versatilidade, aqui, é mato.

Como boa pessoa de humanas que faz um monte de coisa que não dá dinheiro, eu também tenho um alguns trabalhos e projetos pessoais realizados na internet. Alguns deles não trazem retorno financeiro, mas garantem momentos de alegria. O  principal é o Interior Cultural, no ar desde meados de 2016 com a proposta de divulgar arte e seus agentes. Um projeto feito com carinho por quem acredita que a arte muda o mundo.

É também com muito carinho que escrevo no Medium, onde falo de comportamento, autoestima, sociedade e, vez em quando, arrisco um conto. Falando em contos, escrevo também para o Conntinuum, junto com uma equipe que mistura talento, desafios e ousadia. O resultado é um podcast de dramatização. Se você é dos que gosta de deixar o pensamento viajar em boas estórias, #ficaadica.

E já que o assunto é viagem… Quando morei na Irlanda, conheci a equipe do DPB Intercâmbio e fizemos juntos um trabalho muito bacana. Escrevi sobre o país e dei dicas para quem quer passear em outras terras. Aprendi um pouco sobre jornalismo de viagem, muito sobre mídias sociais e um tanto sobre a vida.

Eu não paro. De me encantar, de ter ideias e de acreditar no poder da arte e da comunicação.

Gostou? Envie uma mensagem. Vamos bater um papo 😉

Nas postagens abaixo, você confere alguns dos meus textos.

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Sertão feminino

Reportagem publicada originalmente na Revista TPM. 

Flavia caminhava em silêncio. Fátima sentiu dores e preferiu, em alguns trechos, seguir de carro. Patricia, ao fim da caminhada, observava as marcas de sol no peito, ao lado da cicatriz.

Na noite de 12 de julho, elas abriam largos sorrisos. Haviam caminhado 180 quilômetros ao longo de seis dias. No lugar da linha de chegada, encontraram uma fogueira. Acima das cabeças, céu clareado de estrelas. Era o fim de mais uma edição do Caminho do Sertão, jornada pelos vales dos rios Urucuia e Carinhanha, na região noroeste de Minas Gerais.

A proposta é utilizar a caminhada como meio de conhecimento. No roteiro, arte e cultura se unem às observações da natureza, tradições e relações sociais. Na andança pelo cerrado mineiro, o grupo passa por paisagens descritas no romance Grande Sertão: Veredas, do escritor João Guimarães Rosa (1908-1967). Comunidades tradicionais, como quilombolas, e propriedades de prática de agricultura familiar também estão na rota.

Adentrando o sertão

Os pontos de início e fim do roteiro remetem à obra de Guimarães Rosa. Sagarana, livro de contos publicado em 1946, é também o nome da vila de cerca de 600 habitantes onde tem início a caminhada. Seis dias depois, o grupo chega à cidade de Chapada Gaúcha e termina a jornada com uma visita ao Parque Grande Sertão Veredas. Dos nomes às paisagens, o trabalho do escritor permeia todo o caminho. Quem tem conhecimento da obra, logo reconhece os buritis (espécie de palmeira) ou percebe, no sotaque dos moradores da região, a semelhança com passagens dos livros.

A proximidade com a literatura é um dos critérios de seleção dos participantes. Além disso, têm preferência moradores de comunidades tradicionais da região do roteiro e “sonhadores, ativistas culturais e socioambientais, músicos, artistas populares, escritores e poetas”, como informado no edital de seleção, entre outras característica favoráveis ao pretendente a caminhante. Qualquer pessoa pode se inscrever e o número de selecionados varia, em cada ano, de acordo com os recursos disponíveis para a realização do evento.

Nas duas últimas edições, o processo seletivo exigiu carta escrita à mão. No papel, os relatos femininos se destacavam por quantidade. Os dados da primeira e segunda edições, realizadas em 2014 e 2015, não estavam disponíveis. Contudo, pelo menos desde 2016, as mulheres são maioria entre as pessoas interessadas em fazer a caminhada. Em 2019, foram 408 inscritos e 82 selecionados, sendo 55 mulheres. Em 2018, elas eram 42 dos 57 escolhidos. De acordo com a organização do Caminho do Sertão, a porcentagem anual de inscrições femininas é de, em média, 70%. Esses dados definem a composição do grupo. Ano após ano, os pés femininos dominam a marcha sertão adentro.

Primeiros passos

Antes de partir em caminhada, o grupo se reúne em um ginásio, na vila de Sagarana. Sentados em círculo, recebem orientações sobre cuidados consigo, com o outro e com o ambiente onde, pelos dias seguintes, andarão e farão pouso. Cada pessoa se apresenta, dizendo de onde vem e por que está ali. Depois, convida alguém para fazer o mesmo.

Quando Fátima Cristina Silva entrou na roda, tinha os olhos marejados. Os pés, inquietos, a conduziam para frente e para trás. As palavras saíam entrecortadas por suspiros. “Eu sou casada há 40 anos. Estou aqui para, depois, voltar e re-conhecer essa pessoa que vive comigo”, disse, fazendo pausa entre o “re” e o “conhecer.

Mãe de duas mulheres e um homem, há poucos meses, Fátima tornou-se avó. E, agora, redefine a percepção sobre si e sobre a relação com o marido. Aos 56 anos, ela nunca havia feito uma caminhada desse tipo. Lançar-se na aventura e testar os limites do corpo significa, também, redescobrir-se. “O desafio estava posto, assim como meus filhos que alçaram voos, estava eu ali também alçando voos que jamais tinha imaginado”.

Pesquisadora na área de desenvolvimento de territórios sustentáveis, ela viu na proposta de imersão no cerrado uma possibilidade de adquirir conhecimento para aplicar ao trabalho. Logo no início, percebeu que a experiência poderia ir além do campo profissional. Afinal, caminhar por seis dias ao lado de pessoas desconhecidas é um exercício de sair da zona de conforto.

Com o passar dos quilômetros, o andar ficou lento. Num trecho, quando o sol ardia e os passos vacilavam sobre a areia fofa, Fátima apertava os olhos, exprimindo a dor sentida nos pés. O corpo pendia sobre a perna esquerda para aliviar o pé direito. O suor escorria em linhas por debaixo da aba do chapéu. Ali, decidiu entrar no carro de apoio.

Respeitar os limites do corpo foi um dos aprendizados. As longas horas andando sob sol, as conversas em grupo e o compartilhamento de experiências trouxeram também outras reflexões, lembrando-a das razões de estar ali. “Foi tempo de reviver, relembrar, reolhar, ressignificar, recriar e tantos outros ‘re’… Repensar, pensar, reelaborar… resiliência!”.

Encontros silenciosos

Em determinados trechos, os caminhantes encontram carros para reabastecer as garrafas d’água ou acalmar o estômago com alguma fruta. Encostado à lateral de uma caminhonete, um rapaz separava bananas de uma penca. Dentro da carroceria, um facão repousava ao lado dos pedaços de melancia. Flavia se aproxima. O rapaz brinca: “Fala qual você quer, e eu te dou”. Ela sorri e aponta a melancia.

Os passos da estudante Flavia Megda, 23, tinham a mesma leveza das suas palavras. Com fala pausada, ela explicou a razão pela qual ninguém ouviria sua voz durante as horas de caminhada. “Há pouco tempo, meu avô encantou-se, que é como se diz aqui em Minas quando alguém morre. Ele era uma pessoa muito quieta, passava, às vezes, dias em silêncio. Por isso, em homenagem a ele, vou fazer a caminhada em silêncio”.

Quando, logo após o nascer do sol, o grupo pegava a estrada, Flavia silenciava e só retomava os diálogos ao fim de cada trajeto. Respondia com sorrisos e acenos às conversas e brincadeiras. Num ambientes de muitas conversas – todos ali estavam conhecendo uns as outros, passando dias e noites juntos – ela sentiu-se desafiada.

“Chegou um momento que eu senti muita necessidade de interagir, de falar, de rir, de cantar. Isso foi no penúltimo dia de caminhada”. Nesse dia, o grupo caminha 14 quilômetros, entre subida e descida da Serra das Araras, sem contar com veículo para resgate e reabastecimento de água e alimento. É um dos trechos mais desafiadores do roteiro. Por isso, os caminhantes recebem o aviso: quem não está preparado, não vá.

Flavia aceitou o desafio, mas desistiu do silêncio. Ali, falou de tudo. Apesar de quebrar o pacto, tirou aprendizado da experiência. “Eu realmente conseguia esperar, digerir algo, ver se era realmente necessário e isso tá refletindo até hoje. Quando eu vou falar alguma coisa, eu tô me percebendo pensando: será que isso é realmente necessário falar?”.

O silêncio também foi companheiro da professora Patrícia Chavda, 53. No último dia de caminhada, andando sozinha durante parte do trajeto, ela compreendeu suas dores emocionais.

“As reflexões propostas (…) O corpo no limite do cansaço, me deixou num estado de não-estado, totalmente em movimento. Foi inevitável não transbordar as minhas histórias todas numa linha de tempo em vaivém”, lembra. Na caminhada, ela rememorou um fato traumático, sentiu vontade de falar sobre ele e encontrou espaço para isso.

O Caminho do Sertão começa como termina: com roda de conversa. Mais íntimos uns dos outros, alguns sentiam-se à vontade para contar histórias pessoais digeridas ao longo dos seis dias. Nesse momento, Patrícia falou em público, pela primeira vez, sobre a tentativa de feminicídio sofrida. Ela leva no peito a cicatriz da facada. Teve pulmão perfurado, passou por cirurgia. O agressor, homem com quem foi casada por 14 anos, cometeu suicídio em seguida. Os dois filhos do casal presenciaram tudo.

“Então, no momento em que expressei parte da minha experiência de vida na roda de conversas final, com certeza o sentimento era de vertigem ao final de dias tão intensos. Antes de iniciar a caminhada, eu estava ciente do desafio do percurso em termos de esforço físico e algumas privações de conforto. A surpresa foi esse “deslocamento” interno mais visceral que o próprio corpo!”, observa.

Ao fim do relato, Patrícia recebeu olhares afetuosos de Fátima, de Flávia, de Marina, que caminhava cantado as canções preferidas dos filhos; de Haydée, que, num riacho silencioso, livrou-se do sutiã; de Gabriela, que animou o grupo cantando sambas; de Julia, que caminhou ao lado do pai; de Daisy, que leva no peito a tatuagem ni dios ni patron ni marido; e, se possível fosse, de Diadorim, personagem do livro Grande Sertão: Veredas, mulher escondida sob trajes de homem para ser aceita no bando de jagunços cujos rastros fictícios marcaram aqueles caminhos tão reais do sertão mineiro.

Leia a reportagem original neste link.

Após perder o dedo, jovem negro cria nova forma de tocar e agora vai estudar em Londres

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*Texto originalmente publicado no portal Alma Preta

Christian Gabriel dos Santos, 19 anos, vai estudar em uma das melhores instituições de música do mundo. Em dezembro de 2017, recebeu a notícia: é um dos selecionados para compor o corpo discente da Royal Academy of Music, em Londres. Desde 2017, Christian é aluno da Escola de Música do Estado de São Paulo e bolsista na Orquestra Jovem do Estado. A mudança para São Paulo marcou a saída de Duartina, cidade de 13 mil habitantes no interior do estado, onde nasceu, cresceu e teve o primeiro contato com a música.

A primeira vez que o jovem segurou uma viola de arco – instrumento semelhante a um violino – foi em 2010, como integrante do projeto social Musicrescer, na cidade natal. “Era onde eu poderia ter um instrumento gratuito para estudar, sem que precisasse comprar, já que isso não era possível”, lembra.

“Quem é aquele pretinho sem um dedo ali? Sou eu!”

Quem ouve, não nota. Somente o olhar treinado é capaz de perceber que, na mão onde se apoia a extremidade da viola, falta um dedo. Foi numa das estruturas metálicas erguidas pela prefeitura da cidade para sustento de decorações natalinas que Christian, aos 5 anos, subiu e prendeu a mão. Despencou de lá. O dedo ficou.

Anos mais tarde, o pai, trabalhador rural e principal responsável pela criação do menino e do irmão três anos mais velho, concordou em matriculá-lo no projeto social para aprendizado de música.

Christian Gabriel dos Santos, de apenas 19 anos, foi selecionado para estudar na Royal Academy of Music, em Londres (FOTO: Acervo Pessoal)

“Tinha que fazer alguma coisa, porque eu era hiperativo, então tinha que direcionar a energia”, conta. Christian passou a dividir os dias da semana entre as aulas no ensino regular, pela manhã, e o estudo de música, a noite. Depois, ainda treinava em casa “mais umas 2 horinhas, estudando baixinho” para não atrapalhar o sono da família ou dos vizinhos.

O dedo mindinho esquerdo é essencial para as notas da viola. Da parte ausente, ele tirou aprendizado. Desenvolveu uma técnica própria para tocar o instrumento e, com ajuda do professor Willian Cunha, do Conservatório Dramático e Musical de Tatuí-SP, registrou o método que agora pode servir de apoio para outros músicos com o mesmo problema.

“Ele (Willian) estruturou todas as ideias que eu tinha sobre como tocar viola sem um dedo e me passou as bases de como estudar com foco e nunca desistir”.

Talentoso, Christian precisa arrecadar dinheiro para estudar Londres

“Nunca tive apoio financeiro da minha família”, explica. O pai sempre trabalhou na roça e foi o principal responsável pelo sustento da casa e das crianças. Para pagar a viagem a Londres, Christian lançou uma campanha on-line por meio da plataforma Vakinha. Qualquer ajuda é bem-vinda. Além disso, o jovem espera conquistar patrocinadores para ajudá-lo a financiar os estudos. Nas redes sociais, tem recebido apoio de amigos, colegas do universo da música e professores.

“Para mim é uma grande alegria e satisfação tê-lo como aluno. Ele é muito musical, expressivo, dedicado… não mede esforços para alcançar aquilo que quer!”, ressalta Mariana Costa Gomes, professora na Escola de Música do Estado de São Paulo.


De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, 837 pessoas participaram das audições; apenas três do Brasil. Atualmente, seis brasileiros estudam na Royal Academy of Music.

As aulas começam em setembro. Christian foi selecionado após uma série de audições realizadas diversos países. Para concorrer, enviou três vídeos: um de apresentação e dois tocando peças de acordo com o edital da instituição. Agora, dedica-se ao aperfeiçoamento do inglês – idioma que começou a estudar por conta própria – e já faz planos para vida no exterior.

“Você imagina? Um dia, a gente tocando pra rainha, ela vai olhar aquela gente toda e pensar: quem é aquele pretinho sem um dedo ali? Sou eu!”. (risos)

Saiba como ajudar Christian a realizar o sonho de estudar na Inglaterra

Para ajudar, basta clicar aqui. O botão para a contribuição na campanha de Christian fica no final da página e você pode contribuir com qualquer valor.

 

Confira aqui o texto original.

 

Conheça Christiania, a comunidade alternativa de Copenhague

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*Texto originalmente publicado no portal DPB Intercâmbio.

Quem entra pelos portões de Christiania sem saber do que se trata não demora a ter uma ideia do que se passa por ali. O cheiro no ar dá a primeira pista. Christiania é uma comunidade alternativa localizada em um parque no centro de Copenhague, capital da Dinamarca. Apesar da legislação Dinamarquesa proibir o comércio de maconha, naquele espaço a lei encontra uma brecha. Dos portões para dentro, as regras da comunidade são respeitadas.

Mas Christiania é muito mais do que um parque onde a fumaça sobe sem passar pelas barreiras da lei. Por lá, moram atualmente cerca de mil pessoas que têm o privilégio de viver em contato com a natureza em uma comunidade que preza pela sustentabilidade. Carro por ali não entra, a culinária vegana  (sem uso de qualquer produto de origem animal) tem prioridade e as expressões artísticas têm espaço garantido. Há shows, galerias de arte, museus e o grafite dá cor aos muros de várias construções no bairro.

Hoje, 24 de setembro, a comunidade completa 44 anos de existência; e é atualmente um dos principais pontos turísticos de Copenhague. No final de agosto, passei uma tarde por lá, conversando com moradores, visitantes e fotografando alguns grafites onde foi possível. Tirar fotos em alguns trechos de Christiania é proibido, já que a ideia é preservar a privacidade de quem está por ali.

Um dos moradores, um dinamarquês de cerca de 55 anos, me contou em uma conversa informal um pouco da vida por lá. Mensalmente, cada morador colabora com uma quantia em dinheiro para garantir a limpeza das áreas comuns e os cuidados com as crianças menores de 7 anos, que frequentam creches dentro da comunidade até atingirem a idade de ir para a escola. Então, elas passam a estudar fora do bairro. Muitos moradores também trabalham do lado de fora dos portões. “Eles pagam imposto duas vezes. Pagam lá fora, porque trabalham lá, e pagam aqui dentro, porque ajudam mensalmente”, conta um deles.

A comunidade não tem nenhum tipo de líder político. Cada morador é responsável pela sua casa e pelos seus atos. As decisões que envolvem o espaço comum são tomadas em grupo, em reuniões para as quais todos são convocados.

História

Em 1971, a área onde hoje fica Christiania era uma base militar abandonada. Alguns registros dão conta de que o lugar foi tomado por hippies e artistas, que deram início à comunidade. Mas, de acordo com um morador do local, os primeiros a derrubar as cercas da base foram moradores da região, com o objetivo de construir ali um parque para as crianças. O fato é que tanto os hippies quanto os moradores locais se entenderam bem. Até hoje, Christiania é um lugar agradável para as crianças e que ainda conserva o estilo de vida “paz e amor” dos hippies.

Durante anos, a comunidade viveu em conflito com o estado Dinamarquês, pois se opunha a se submeter às leis do país. A ideia sempre foi manter Christiania à parte da constituição, como uma comunidade com suas próprias regras estabelecidas pelos moradores. Em 2011, um acordo foi firmado e em julho de 2012 foi criada a Fundação “Freetown Christiania”, responsável por cuidar do terreno, controlar a entrada de moradores e a concessão de moradias. Existe atualmente uma lista informal de pessoas que desejam viver por lá, mas a entrada tem que ser controlada, já que o respeito à natureza – e, consequentemente o controle da construção de novas casas – é prioridade.

 

O lugar

As casas, quase todas, são de madeira. Muitas ficam espalhadas pelo bosque. Na região da praça central, estão concentradas as barracas de artesanatos. Mas os brincos e anéis não são o produto principal vendido em Christiania. Ao lado da feira de artesanato, há algumas barracas pequenas onde ficam expostas logo no balcão as porções de maconha e biscoitos feito com a erva. Por ainda ser um comércio ilegal – apesar da polícia não ir até lá – alguns dos vendedores preferem esconder o rosto atrás de óculos escuros e tocas pretas. Quem compra pode fumar ali mesmo, ou procurar um lugar mais reservado dentro do bosque.

Em Christiania há também muitos cafés e bares, e os pratos principais são veganos. As ruas do bairro são de paralelepípedo ou de terra. Há alguns galpões de alvenaria, onde funcionam bares. Lá dentro, tem gente de todas as idades bebendo cerveja, fumando, ouvindo um som ou jogando gamão.

A maioria das pessoas que andam pelas ruas do bairro, principalmente na parte central, são turistas. Entre os vendedores de artesanato, há os que moram lá e os que vivem fora. O francês Patrick, de cerca de 40 anos, é um dos que vêm do lado de fora do portão. Ele mora e trabalha em Copenhague, e apesar de estar em Christiania todo fim de semana, não vende mercadoria alguma. Patrick empurra um carrinho cheio de livros, todos doados, que ele passa adiante. Já é figura conhecida dos moradores e conta que vai lá para entregar livros, conversar com as pessoas, beber e fumar. Em seu carrinho, há livros gêneros e idiomas variados. No dia em que conversamos, seu carro-biblioteca ostentava uma bandeira do Uzbequistão. Ele explicou que aquele era o dia da independência do país. Depois, me perguntou a data da independência do Brasil e lamentou não poder usar a bandeira verde e amarela neste ano. Tirou o celular do bolso, consultou o calendário e me garantiu: ano que vem, no dia 7 de setembro, vai pendurar em seu carrinho a bandeira verde e amarela onde lemos “ordem e progresso”.

Brasileiros ‘mergulham’ no Vale do Silício em busca de inspiração

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*Texto originalmente publicado na revista Exame por meio do portal Dino

O que o Vale do Silício pode nos ensinar sobre soluções para crises? É o que o grupo de 18 brasileiros participante da 12ª Edição da Missão de Negócios ao Vale do Silício vai descobrir em breve.

Eles partem para o vale do São Francisco no final de fevereiro, liderados pela equipe da IIN – Imersão de Negócios ao Vale do Silício, empresa brasileira que trabalha realizando expedições para a famosa região norte americana. É lá que estão modelos de negócios que nos dão uma pista sobre o futuro das corporações.

Os participantes, de diversas áreas, têm uma característica em comum: o espírito empreendedor; e compartilham um objetivo: o aprendizado. Por isso, o roteiro da expedição é traçado de modo que o grupo tenha contato com empresas de sucesso, novos modelos de negócios, pessoas e ideias inovadoras.

“O objetivo é demonstrar os bastidores desta região tida como a mais inovadora e empreendedora do mundo, onde realizamos visitas técnicas em empresas, universidades e aceleradoras de startups para compreender o mindset americano e o comportamento que faz dessas empresas grandes potências que vêm transformando diversos setores como serviços, varejo e indústria”, afirma André Bianchi, fundador e diretor de negócios da IIN.

Aprender lá para aplicar aqui. É esse o principal objetivo da Missão, que coloca brasileiros em contato com casos de sucesso para que voltem com ideias para superar o momento de crise no mercado nacional. “Os empresários poderão identificar novas oportunidades para potencializar suas vendas, fazer novos parceiros estratégicos e fornecedores para reduzir custos”, revela Joyce Bianchi, executiva da IIN.

Além disso, os visitantes terão acesso a tecnologias inovadoras e networking privilegiado que os colocarão à frente da concorrência. “Eles poderão conhecer pessoalmente os empreendedores que estão no Vale e ouvir deles como estão acelerando seus negócios”, completou Bianchi.

O roteiro pelo Vale do Silício

Você sabe o que é um unicórnio no mundo dos negócios? São as empresas que atingiram valor de mercado acima de 1 bilhão de dólares. E elas estão no roteiro do grupo, representadas pela Rocket Space, uma das mais tradicionais aceleradoras de startups que tem em seu portfólio Uber, Zappos e Spotify.

Haverá visitas a startups como Labdoor, do setor de suplementos alimentares e Oaktech.co, com serviços direcionados à aceleração de projetos para empresas que pretendem entrar nos Estados Unidos ou globalizar seus negócios. Na Tesla, empresa fundada pelo visionário Elon Musk, a pauta é a transformação que as indústrias lideradas por ele vêm trazendo por meio do seu modelo de negócios. Na sede do Google, os participantes da 12ª Edição da Missão farão uma visita guiada. E haverá uma pausa para um lanche especial no Eatsa, um restaurante que opera sem funcionários.

Para trabalhar a mente e ir além, o grupo terá uma oficina de Design Thinking com Pedro Cintra, diretor na sede da maior empresa do mundo no setor de buscas, e Mariangela Smania, certificada em “Design Thinking e a Arte de Inovação” concedida pela d.School

Pedro e Mariangela propõem uma forma de ver o mundo focada nas pessoas e trazem técnicas e ferramentas de análise de problemas, pressupostos e dependências. A oficina de Design Thinking leva os participantes a avaliar o que é um verdadeiro problema e a pensar o modelo mental de crescimento versus modelo mental fixo.

Durante os 5 dias da imersão, o grupo fará visitas a diversas startups e será recebido por seus fundadores ou CEOs. Atividades de networking fazem parte do roteiro. Nas conversas, os temas giram em torno de inovação, tecnologia, comportamento do consumidor e outros assuntos necessários aos empreendedores que buscam desvendar o atual mercado e se lançar com sucesso no futuro.

“Nas edições anteriores, visitamos Circuit Launch, Google, Facebook, Asteroide, BovControl, OneSkin, Babel Ventures, Universidade de Stanford, Uber, Labdoor, Salesforce, aceleradoras de startups e fundos de investimento. A proposta é levar empresários brasileiros para acessar conteúdo por meio de novas experiências, observar oportunidades e praticar muito networking”, lembra André.

Com mais de dez viagens de imersão no currículo, os executivos da IIN têm conhecimento para analisar as necessidades dos brasileiros e traçar um roteiro acertado.

Uma dica para os empreendedores vem de Pedro Gadelha, diretor de Marketing da IIN, que avalia: as empresas brasileiras devem ser menos tímidas no que se refere ao mercado exterior. “Deve-se levar em consideração que nem sempre a questão de internacionalizar é vender produtos lá fora, mas sim criar parcerias ou até mesmo fundar uma nova empresa com pessoas conhecidas nestas missões”, aponta.

Quer participar?

A 13ª Edição acontece no final de abril. Para mais informações, acesse: http://www.missaonovaledosilicio.com.br

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Confira aqui o texto original. 

Narrativas negadas: como o sistema de ensino reforça o racismo?

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*Texto originalmente publicado no portal Alma Preta

É notável a ausência de aprofundamento nos temas relacionados à cultura negra no conteúdo do material didático oferecido às crianças e adolescente no ensino formal do estado de São Paulo. Para além do descuido, tal ‘falha’ funciona como ferramenta de manutenção de um sistema de exploração das populações periféricas brasileiras. Além disso, contraria a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

Essas são as constatações apresentadas pela dissertação de mestrado da educadora Marlene Oliveira Brito, defendida em março no campus da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Bauru-SP, como conclusão do curso de Pós-graduação em Docência para a Educação Básica.

Com o título “Narrativas negadas: estratégias de resistência à discriminação planejada“, o trabalho apresenta a conclusão de uma pesquisa realizada durante 20 meses, somados à experiência prática da pesquisadora, que atua como professora de educação básica na rede pública de ensino desde 2006. Atualmente, Marlene Brito ocupa o cargo de vice-diretora em uma escola estadual em Bauru, no interior do estado de São Paulo.

Após análise do conteúdo do currículo oficial paulista para os anos iniciais do ensino fundamental (que atende crianças entre os 6 e 10 anos de idade), constatou-se: há muita história escondida nas entrelinhas daquilo que chega até os estudantes.

De modo geral, o continente africano é trabalhado, principalmente, como ponto de partida dos negros que para cá foram trazidos como escravos. O que aconteceu antes e depois, ou mesmo quem eram esses sujeitos, é ignorado.

“Existem histórias dos povos africanos antes do processo de escravização e não sabemos nada sobre elas. Há um apagamento dos afrobrasileiros e suas realizações nas práticas escolares. Esse é o mote do meu trabalho”, explica a pesquisadora.

O resultado dessa falha no ensino, aponta a pesquisa, tem influência direta no nosso cotidiano. Enquanto parte da população brasileira demonstra intimidade com a ascendência europeia – somos netos de espanhois, italianos, portugueses, dizemos – o continente africano é tratado como unidade, ignorando-se suas fronteiras, povos e culturas.

Para documentar essa conclusão, Marlene ouviu alunos e professores e debruçou-se sobre o material escolar oferecido pela rede pública de ensino no estado de
São Paulo. Nas 227 páginas do trabalho final da pesquisa, estão apontadas as disparidades.

“Entre outras ausências, observamos o fato de nenhum dos estudantes que chegavam ao quinto ano ter condições de recontar uma narrativa de origem ou matriz cultural africana”.

(Foto: Camila Souza/GOVBA)

Foi o comportamento de uma aluna que a fez despertar o interesse pelo tema. A criança, negra, mostrou-se em dúvida diante de um questionário onde deveria informar sua cor. Não se sentindo contemplada por nenhuma das opções oferecidas (negra, parda, branca, amarela e indígena), escreveu: morena.

“Esse episódio trouxe-me mais questionamentos sobre o papel do professor na formação de crianças. Que sentidos estão envolvidos na dificuldade de uma criança desenvolver o sentimento de pertença quando trata-se da população negra?”, pontua a pesquisadora.

O dano mais evidente dessa educação deficitária é o desconhecimento de parte signiticativa da origem da sociedade brasileira. Outro prejuízo é sentido na auto-estima dos jovens negros, já que não se veem representados naquilo que é visto em sala de aula. Tudo isso resulta na ineficácia das ações de combate ao racismo.

“A pesquisa partiu da hipótese de que há um engenhoso processo de silenciamento no trato com as demandas relacionadas à educação antirracista, no combate ao preconceito, à discriminação e ao racismo, alimentado pela forma articulada do currículo oficial da Secretaria Estadual de Educação em suas políticas curriculares e avaliativas”, ressalta Marlene.

Racismo em sala de aula

Em sala de aula, Roberta de Souza Alves, professora da Educação Básica, notou o comportamento arredio de um dos seus alunos. O menino evitava proximidade, mesmo quando o contato com a professora era necessário. Certo dia, Roberta esbarrou na carteira da criança, derrubando o estojo. Ao devolver o objeto, notou que o menino retirou da mão dela agressivamente, tomando cuidado para afastar-se. Ela questionou a criança e ouviu como resposta a explicação: “é que você é negra”. Chamados à escola, os pais da criança afirmaram não saber de onde vinha tal comportamento.

“O racismo surge do desconhecimento do outro, do etnocentrismo, da ideia de inferioridade do outro. Penso que, a priori é necessário construir a ideia de humanidade, tão massacrada pelo colorismo, que define quem é bonito e quem não é pelos traços que apresenta ou tom de pele”, avalia Roberta. Para ela, olhar de perto para a cultura e a história dos povos africanos é mais eficaz do que agir diretamente sobre as ocorrências de racismo.
De acordo com a tese de Marlene, a educação nos anos iniciais é o canal de ruptura com o processo de perpetuação do racismo. É também o que prevê o artigo 26 da Lei 9394 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Está lá:

O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e europeia.

Na prática, muito desse conteúdo relativo às matrizes indígenas e africanas fica restrito às datas comemorativas.

“O material do 1º ao 5º ano não foca as questões raciais. O ensino fundamental 2 (que vai do 6º ao 9º ano) já trabalha de forma diferenciada, mas não tem esse resgate do continente africano, é muito eurocentrismo”, avalia Carla Juraci de Melos, professora de história, geografia e filosofia da rede pública de ensino do estado de São Paulo.

Como resultado da pesquisa, Marlene produziu o livro didático Afrocontos – Suplemente Didático de Planejamento Intercultural. São 55 páginas com contos e atividades pedagógicas que trabalham a cultura de matriz africana em sala de aula. É uma das propostas para se pensar uma sociedade que olha para si com respeito e igualdade.

“Creio que um dos caminhos para mudança está nos processos de formação dos professores, nas parcerias com as universidades e entidades de referência, em uma reunião de esforços, nos apoiando a produzir material curricular de resistência e de rompimento com o silenciamento de grupos humanos”, propõe a pesquisadora.

Confira aqui o texto original.

Como melhorar a alimentação dos pequenos?

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*Texto originalmente publicado no blog Bambino.

Todo mundo sabe da importância da boa alimentação para a nossa saúde. E, na infância, ela é ainda mais importante já que, nessa fase, desenvolvemos hábitos que levaremos para a vida toda. Ou seja, se queremos ser responsáveis pela criação de adultos saudáveis, precisamos ensinar nossos filhos a comer bem desde pequenos.

Entretanto, isso nem sempre é uma tarefa simples. Nós sabemos que manter os pequenos longe das tentações é difícil, o paladar deles é facilmente seduzido pelos excessos de açúcar e outras substâncias presentes em doces, salgadinhos e refrigerantes, sem falar no apelo visual que esse tipo de guloseima apresenta. Fazer a criança abrir mão de um pirulito em troca de um brócolis é tarefa digna de Hércules, mas essa é a primeira lição: o importante não é substituir, mas ajudar os pequenos a desenvolverem naturalmente o interesse por alimentos saudáveis.

Com dedicação, é possível, sim, educar as crianças para que elas desenvolvam bons hábitos alimentares. Quer saber como? Confira nossas dicas.

1 – Lembre-se: você é o exemplo

As crianças reproduzem aquilo que veem os adultos fazendo. E isso vale para a alimentação! Você quer que as crianças comam frutas todos os dias? Passe a comer também! A ideia é fazer com que os pequenos consumam vegetais nas principais refeições? Comece enchendo seu prato de salada! A vantagem é dupla: além de dar exemplo, você acaba cuidando da sua saúde também.

2- Não use comida como chantagem

Para o bem ou para o mal, jamais faça do alimento uma recompensa ou punição. Sabe aquela história de “se você fizer a lição, vai ganhar uma sobremesa”? Esqueça! Isso pode causar uma relação de ansiedade com a comida. Em casos negativos, a dica também é válida. Jamais diga para a criança que ela é obrigada a comer todos os legumes do prato. Faça com que ela vá se acostumando aos poucos ao sabor dos alimentos, e ofereça sempre aqueles que ela mais gosta.

3- Mostre que é bom

Os alimentos naturais são muito saborosos e é importante que os pequenos percebam isso. As combinações são infinitas! Ouse nas saladas, misture frutas, utilize mel e cereais e mostre às crianças que as possibilidades de alimentação saudável são inúmeras, seja no momento das refeições principais ou nos pequenos lanches ao longo do dia.

4- Desperte a curiosidade

Frutas, legumes e verduras são bonitos. Têm cores fortes, formas variadas e cheiros diversos. Isso é um estímulo e tanto para os pequenos! Já pensou em levá-los para a feira? Deixe com que se divirtam tocando nos alimentos, observando e fazendo perguntas. Leve-os para passear no supermercado no dia das compras no hortifrúti. E, se você tem contato com o campo, deixe-os brincar entre hortas e pomares. O conhecimento sobre os alimentos reflete na forma como nos alimentamos.

5- Tenha bons alimentos em casa

Deixar a fruteira sempre cheia e ao alcance dos pequenos é uma estratégia simples para fazê-los comer alimentos saudáveis na hora da fome. O contrário também é válido: evite encher os armários com guloseimas. Assim, no dia a dia, a criança vai se habituando aos sabores vindos da natureza e desenvolvendo bons hábitos de modo natural.

Mas, afinal, o que significa comer bem?

Existem algumas divergências a respeito de quantidades e tipo de alimentos que devemos consumir para uma boa alimentação, mas uma coisa é consenso: uma alimentação saudável é feita de produtos vindos diretamente da natureza. Os alimentos em formato natural conservam nutrientes, têm fibras, são ricos em água e vitaminas. Quanto menos processos industriais o alimento for submetido, melhor ele é para nossa saúde. Além disso, os produtos orgânicos – aqueles produzidos sem o uso de fertilizantes artificiais ou pesticidas – também são alternativas mais saudáveis. Na dúvida, vale a regra: se preciso abrir um pacote para consumir este alimento, provavelmente ele não é saudável!

Confira aqui o texto original.

Desmistificando a maternidade para um processo mais saudável

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*Texto originalmente publicado no blog Bambino

Todo mundo já ouviu a frase “Ser mãe é padecer no paraíso”. No entanto, quando o assunto é maternidade, é comum que se fale muito mais sobre o paraíso do que a respeito do padecimento. De fato, a chegada de uma criança pode trazer alegrias e aprendizados para a vida de uma mulher. Entretanto, é importante desmistificar o assunto e lembrar que mães são mulheres de carne e osso, com problemas e anseios, cada uma enfrentando uma situação particular. Assim, é natural que a maternidade traga uma série de dúvidas e questionamentos.

Pesquisas recentes mostram que, entre as brasileiras, aumentou o número de mulheres que demonstram interesse em ser mães. Em 2017, a quantidade de brasileiras que declararam desejo de engravidar foi 27% maior que em 2016. Diante disso, é importante tratar a maternidade com objetividade, falando também de assuntos bastante reais que afetam as mulheres – já que são elas, ainda, as principais responsáveis pela criação dos filhos.

Vamos lá?

As mulheres ainda são as principais responsáveis pela criação:

Os tempos estão mudando e os homens passaram a se envolver mais com os cuidados da casa e das crianças. Ainda assim, pesquisas recentes mostram que as mulheres se dedicam 73% mais que os homens aos afazeres domésticos e cuidados com outras pessoas. Enquanto eles dispensam, em média, 10,5 horas por semana a esse tipo de tarefas, a elas cabe investir 18,1 horas para os cuidados da casa e de filhos ou dependentes. De acordo com o IBGE, 83,6 % das crianças brasileiras de até 4 anos de idade têm como responsável uma mulher, seja ela mãe biológica, mãe de criação ou madrasta.

Mulheres ainda abandonam a carreira pelos filhos:

E, como são elas as principais responsáveis pelas tarefas domésticas e cuidados com os filhos, é comum que se vejam obrigadas a deixar de lado a dedicação aos estudos ou à profissão. Uma pesquisa da agência de empregos Catho mostra que 28% das mães deixam o emprego para se dedicar aos filhos, contra apenas 5% dos pais. Apesar das mudanças em nossa sociedade, as antigas estruturas que colocam homens como provedores da casa e mulheres como cuidadoras ainda são fortes.

Educação e saúde estão no auge das preocupações:

Crianças adoecem com facilidade. Boas escolas nem sempre são de graça. Essas duas preocupações, juntas, tiram o sono de muitas mamães. De acordo com dados internos do Google, saúde educação são os assuntos mais buscados pelas mulheres preocupadas com o desenvolvimento dos filhos. Então, esteja preparada: se você é mãe, ou pretende ser, ainda vai ler muito sobre isso.

Nem toda mulher está preparada!

Algumas planejam por meses ou até anos. Mas, para muitas, a maternidade vem como uma surpresa. Para outras, além da ausência de planejamento, há também a falta de apoio por parte do genitor. De acordo com dados do IBGE, no Brasil existem cerca de 11,6 milhões de mães solo (aquelas que são as únicas responsáveis pela criação dos filhos). Nesses casos, onde há a falta de planejamento ou de apoio do genitor, é comum surgirem sentimentos como medo e insegurança. Por isso, é importante que essas mulheres busquem uma rede de apoio formada por familiares e amigos, para que se fortaleçam e encontrem suporte nos momentos de dificuldade. Outra saída é buscar apoio psicológico para compreender a nova situação que passarão a viver. Além, é claro, do aparato legal para ter todos os direitos garantidos.

E a solução? Diálogo, compreensão e informação

Como dissemos acima, é muito importante que as mulheres busquem formar uma rede de apoio composta por amigos e familiares, onde possam encontrar cuidado, diálogo e apoio. E que elas também disponibilizem suas experiências para ajudar outras mulheres na mesma situação. É importante olhar para a maternidade além da visão romantizada dos comerciais de TV e compreender que esse é um processo que envolve mudanças em vários aspectos: físicos, psicológicos e sociais. Pensar na maternidade de modo realista, entendendo seus desafios, faz com que o processo seja mais tranquilo. Na internet, também há grupos de troca de experiências e espaços onde é possível buscar informações sobre maternidade e tudo o que ela envolve. Aqui, no Blog da Bambino, você encontra conteúdos feito especialmente para quem acabou de dar boas vindas a um novo ser humano!

Confira aqui o texto original.